🍲 A receita da tia Alice
Conto · B1 · Avançado · Comida · Família · ⏱️ 4 min · ✏️ Imperfeito · Conjuntivo
A tia Alice fazia o melhor arroz de pato do Alentejo, mas nunca escreveu a receita. Quem lhe perguntava as quantidades recebia sempre a mesma resposta: «Põe-se o que a mão pede.» Quando ela morreu, a família percebeu que ninguém sabia fazer o arroz.
A minha prima Teresa decidiu que era preciso recuperar a receita. Durante meses, telefonou a vizinhas, procurou cadernos antigos e experimentou dezenas de versões. O pato ficava seco, o arroz demasiado molhado, faltava sempre qualquer coisa.
Um dia, a filha mais nova da tia Alice lembrou-se de um pormenor: a mãe deixava o pato a marinar em vinho branco com laranja desde a véspera. «Ela dizia que era importante que o pato dormisse no vinho», contou a rir.
Hoje, o arroz de pato da Teresa sabe quase ao da tia Alice. Quase. Mas a família prefere que continue assim: é bom que fique sempre um bocadinho de mistério para se falar da tia à mesa.
Texto original escrito para o curso (português europeu). Lê uma vez sem o glossário, depois uma segunda vez com ele.
🧐 Compreensão
1. Porque é que ninguém sabia fazer o arroz de pato?
2. O que fez a Teresa durante meses?
3. Qual era o pormenor que faltava?
4. Porque é que a família prefere que fique um pouco de mistério?
✏️ Gramática do texto
Completa com a forma correta do verbo — as frases vêm do texto. Foco: Imperfeito · Conjuntivo.
É bom que sempre um bocadinho de mistério.